eu vou ler o amor nos tempos de cólera para você. e nós vamos derreter um dentro do outro até nos transformarmos numa gosma de micro pontos enquanto toca aquela música sexy no rádio e nós nos lembramos que estamos no deserto e no meio dele tem uma piscina cercada por algumas cobras que apareceram por lá junto com a mescalina. eu vou escrever poemas em prosa na velha máquina de escrever enquanto ouvimos o david bowie e brindamos com aquela cerveja bizarra feita de tequila e está tudo bem. pra caralho. e depois nós vamos rir da cara dos idiotas na tv comemorando o ano novo feito retardados pulando ondinhas e comendo uvas passadas. as mulheres de calcinha nova. os homens olhando para a calcinha das mulheres. as crianças dormem ou choram porque estão cansadas daquela palhaçada. algum estúpido resolve soltar fogos e a multidão olha para o céu e ri. e no nosso lugar tudo anda tão silencioso que os idiotas ousam dizer que é mórbido. um beijo. até algum dia. e depois de alguns segundos eu não me seguro e dou uma risada denunciando a falsa separação. é claro que eu não faria. eu não poderia, jamais, fazer algo. mas as coisas acontecem por algum motivo, trivialidades não existem. apenas a dor que deveria se prolongar pelo resto da minha vida. ao menos quando ainda houver luz. algum sentido. estou brega. é isso mesmo. eu sou brega pra caralho por que eu estou violentamente feliz. finalmente.a felicidade não serve para a literatura. vou alí me desgraçar e depois escrevo.
e, queridos. vão se foder. e vão ser felizes. e trepar no ano novo. um bom sexo de ano novo para todos. que o fígado doa menos o ano que vem (se assim é melhor). que a vida desgraçada traga algum tipo de sabedoria. e que as ausências se prolonguem.